Cuidados importantes na hora de limpar a casa depois da enchente.

 

 

Em virtude da enchente dos últimos dias, a Secretaria Municipal de Saúde . orienta sobre os cuidados que as pessoas que entraram em contato com a água da enchente devem tomar. No momento de retirar os entulhos e a lama na limpeza de imóveis ou o local de trabalho, é fundamental que a população tenha alguns cuidados.

  • Nunca beba água de enchente ou inundação;

  • Não use água de enchentes para lavar pratos, escovar os dentes, lavar e preparar alimentos ou fazer gelo;

  • Não deixe que crianças nadem ou brinquem na água e na lama;

  • As casas atingidas, devem passar por um processo de limpeza e desinfecção sendo fundamental que seja usado luvas, botas de borrachas ou outro tipo de proteção para as pernas e braços;

  • O chão, paredes e objetos devem ser lavados e desinfetados com água sanitária, na proporção de dois copos (400 ml) do produto para um balde de 20 litros de água, deixando agir por 10 minutos;

  • Jogue fora alimentos e medicamentos que tiveram contato com a água dos alagamentos;

  • Alimentos perecíveis que ficaram fora da refrigeração não devem ser consumidos caso apresentem alteração de cor, cheiro ou consistência;

  • Organize o lixo em local apropriado para a coleta;

  • Não use equipamentos elétricos que tenham sido molhados ou em locais inundados, pois há risco de choque elétrico e curto-circuito;

  • Cuidado com a presença de animais peçonhentos.

 

Doenças

– Casos de leptospirose costumam aumentar imediatamente após alagamentos e enchentes, quando as águas ainda estão baixando, ou quando as pessoas retornam às suas residências e fazem a limpeza das casas.

Leptospirose:

– É uma doença causada por uma bactéria presente na urina de roedores (ratos, ratazanas e camundongos) que se espalha pela água de enchente, lama e esgoto.
Quais os sintomas da leptospirose

Os principais sintomas são febre, calafrios, diarreia, vômitos, dor no corpo, dor muscular, urina escura, olhos e pele amarelados, cansaço, fraqueza, falta de apetite, entre outros.
Caso apresente algum destes sintomas, procure imediatamente um serviço de saúde e informe que teve contato com água de enchente.

Diarreia:

Se você, algum familiar ou amigo apresentar três ou mais episódios de diarreia, em um intervalo de 24 horas, procure atendimento na Unidade Básica de Saúde mais próxima.

 

Inundações, doenças e vacinas

Fernando S. V. Martins, Terezinha Marta P.P. Castiñeiras

 

Em situações de desastres, como inundações, há uma demanda natural da população por medidas que possam minimizar os efeitos e os riscos decorrentes. Em resposta, não raro, vê-se - por alguma razão, não muito clara - o estabelecimento de "campanhas" de imunização e, por vezes, tentativas de distribuição de medicamentos "profiláticos" para as populações atingidas. Essas medidas, além de técnicamente incorretas, são improdutivas e desviam recursos e força de trabalho das ações que realmente são efetivas. Além disso, podem dar à população uma falsa sensação de segurança, levando-a a não observar regras básicas de higiene e a não procurar rapidamente as Unidades de Saúde em caso de adoecimento. As ações para minimizar os riscos de  infecções e de suas possíveis conseqüências devem ser imediatas e efetivas. É essencial que as populações atingidas tenham acesso a:

  • Informações corretas e adequadas

  • Água tratada e alimentos em condições adequadas para consumo

  • Serviços básicos de saúde em funcionamento pleno

  • Medicamentos que eventualmente sejam necessários

  • Abrigo em locais seguros

As inundações aumentam os riscos de aquisição de doenças infecciosas transmitidas de água contaminadade através contato ou  ingestão, como leptospirose, hepatite A, hepatite E, doenças diarreicas (Escherichia coli, Shigella, Salmonella) e, em menor grau,  febre tifóide e cólera. As chuvas, e não as inundações, podem também facilitar a ocorrência de dengue, uma vez que o acúmulo de água relativamente limpa em qualquer recipiente (vasos de plantas, latas, pneus velhos etc.) permite a proliferação do Aëdes aegypti. O controle desse mosquito também é fundamental para manter as cidades livres da  febre amarela, doença que não é transmitida nos centros urbanos desde 1942.

A leptospirose, a hepatite A , hepatite E, as doenças diarreicas e a  febre tifóide ocorrem mais comumente em áreas onde a infra-estrutura de saneamento básico é inadequada ou inexistente. Podem ser adquiridas pela ingestão de água e alimentos contaminados pelas inundações (leptospirose , hepatite A, hepatite E, doenças diarreicas, febre tifóide e cólera) ou através do contato direto das pessoas com a água e a lama das enchentes (leptospirose).

A leptospirose é causada por uma bactéria, a Leptospira interrogans, que é eliminada através da urina de animais, principalmente o rato de esgoto, e sobrevive no solo úmido e na água.  As inundações facilitam o contato da bactéria com seres humanos. A Leptospira interrogans pode penetrar no organismo através do contato da pele e de mucosas com a água e a lama das enchentes. A infecção também pode ocorrer por ingestão, uma vez que as inundações podem contaminar a água de uso doméstico e os alimentos. As manifestações, quando ocorrem, aparecem entre 2 e 30 dias após a infecção. A distribuição indiscriminada de antibióticos para a população como profilaxia da leptospirose é tecnicamente inadequada. Além de ser ineficaz para evitar ou controlar epidemias, desvia inutilmente recursos humanos e financeiros. É mais racional diagnosticar e tratar precocemente os casos suspeitos. As manifestações iniciais da leptospirose são clinicamente indistingüiveis das do dengue.

A hepatite A é causada por um vírus. A transmissão do vírus da hepatite A é fecal-oral, e pode ocorrer por meio da ingestão de água e alimentos contaminados ou diretamente de uma pessoa para outra. A infecção é muito comum onde o saneamento básico é deficiente ou não existe, mesmo sem a ocorrência de inundações. Como conseqüência, a maioria da população dessas áreas foi infectada quando criança e tem imunidade contra a doença. Em crianças, a hepatite A é freqüentemente assintomática ou tem manifestações discretas. A vacinação contra a hepatite A, que ainda tem custo elevado, é feita com duas doses, observando-se um intervalo de seis meses entre elas. Poderá ser mais útil quando for introduzida no esquema básico de imunização da infância. A hepatite E, para a qual ainda não existe vacina disponível, tem  transmissão e evolução semelhantes às da hepatite A, porém está mais associada a inundações. A hepatite B é transmitida por relações sexuais e por transfusões de sangue. A vacinação produz imunidade apenas após a aplicação de três doses, que são feitas ao longo de seis meses. Portanto, a vacinação contra a  hepatite B  não é procedimento útil em caso de enchentes.

A febre tifóide é uma doença causada pela Salmonella typhi, uma bactéria que é adquirida através da ingestão de água e alimentos contaminados. Durante as inundações não parecer haver risco significativo de epidemias, uma vez que para ocorrer infecção é necessário a ingestão de uma grande quantidade (inóculo) de bactérias (possivelmente  há uma "diluição"). Pode haver contudo, contaminação de poços, sistemas de abstecimento e de alimentos, com subsequente proliferação bacteriana possibilitando a ocorrência de casos. As vacinas (injetável ou oral) contra a febre tifóide conferem apenas proteção transitória em 40-90% das pessoas e não estão indicadas para evitar a ocorrência de epidemias. A profilaxia mais efetiva é feita através do tratamento correto da água e da preparação adequada de alimentos.

O tétano é causado pela contaminação de ferimentos com o Clostridium tetani, uma bactéria  que é encontrada normalmente no ambiente (solo, esterco, superfície de objetos). Os transtornos causados pelas enchentes (remoção de entulhos e lama etc.) podem ser fatores facilitadores para ferimentos. Pode parecer que a vacinação em massa contra o  tétano é uma medida útil. Não é. Ao contrário, pode criar uma falsa sensação de segurança. Uma pessoa que nunca tenha sido vacinada não ficará imunizada contra o tétano com apenas uma dose. A profilaxia do tétano será feita mais adequadamente em uma Unidades de Saúde, uma vez que envolve cuidados com o local do ferimento e depende da história de vacinação. Se o indivíduo nunca tiver sido vacinado ou estiver com o esquema vacinal incompleto, o que é o caso de grande parte da população adulta, pode ser necessário que, dependendo do tipo de ferimento, além dos cuidados com o local do ferimento e da vacina, receba também imunização passiva (imunoglobulina antitetânica ou, na sua falta, soro antitetânico). Em adultos não vacinados, o esquema completo é feito com três doses. A vacina deve, portanto, estar disponível nas Unidades de Saúde, onde o risco de tétano poderá ser corretamente avaliado.

 

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